O fenômeno Bullying:da ficção dos jogos à realidade das escolas

Por Renan Silva

O jogo reproduz situações de bulling

Jimmy está deitado no carro, discutindo com sua mãe e seu padrasto. A mãe do garoto resolve interná-lo na Bullworth Academy, uma escola norte-americana. Jimmy é um rapaz muito mau, o pior que a escola já recebeu. Em outros internatos, Jimmy já praticou vandalismo, linguagem imprópria e Bullying.

Parece um fato da vida real, mas não é. Jimmy, na verdade, é o personagem principal do game Bully, lançado pela Rockstar Vancouver para o Playstation 2, em outubro de 2006. Bullying é um termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos.

No Brasil, o jogo foi banido em abril de 2008, com base em um estudo psicológico feito pelo Estatuto da Psicologia, que afirma que o jogo pode ser potencialmente prejudicial para adolescentes e adultos. Já nos Estados Unidos, o jogo foi liberado pela Justiça americana para ser comercializado no Estado da Flórida.

Não é de hoje que existem jogos com temáticas violentas, mas Bully é um dos que tem gerado maior controvérsia, principalmente pela forma como apresenta a temática do bullying. No game, a facção dos bullies, formada pelos valentões da escola, adora agredir crianças, meninas e, principalmente, nerds. Para isso, usam golpes simples, como chutes, socos e empurrões, como forma de demonstrarem a sua superioridade aos demais.

A idéia da Rockstar foi aproximar a experiência do jogo da experiência real. “A escola pode ser dura às vezes, nem sempre se trata de notas A”, disse Rodney Walker, porta-voz da Rockstar Games, em entrevista ao jornal USA Today.

A evolução dos games

Os avanços tecnológicos estão possibilitando que os programadores de jogos consigam mesclar a ficção com a realidade, por meio de ferramentas avançadas e formas tridimensionais. O formato dos jogos tende a ficar cada vez melhor e a percepção dos usuários de games sobre eles será semelhante a de um filme, em que as cenas e a vivência dos personagens navegarão entre o fictício e o real.

Juntamente com essa evolução, também houve a proliferação de jogos com temática violenta, como o Bully. Apesar disso, segundo Luiz Adolfo de Andrade, doutorando em Comunicação e Cultura Contemporânea pela Universidade Federal da Bahia, não é possível afirmar que o formato do jogo seja um dos responsáveis pelo aumento dos casos de bullying. “Acho que a fonte do problema está na base familiar (filhos que acompanham pais brigando), descaso na educação dos filhos. O bullying está presente nos games da mesma forma que nos filmes, em letras de música, séries de TV etc.”

Para Luiz Adolfo, caracterizar a violência nos games como uma questão social não é a melhor solução: “Não podemos culpar um formato expressivo pelo aumento de um problema social. Acho que devemos evitar excessos.”

Alerta aos usuários

Umas das preocupações dos sociólogos em relação a esse assunto é tentar comprovar que os jogos influenciam na educação e no comportamento infanto-juvenil. Segundo o Doutor em Sociologia Valmor Bolan, as crianças e os jovens usuários de games supostamente dão asas a desejos, geralmente relacionados à transgressão e à crueldade, que não podem se manifestar no mundo real.

Sobre esse assunto, Valmor Bolan faz um alerta aos pais: “Devemos ter um discernimento que permita fazer prevalecer uma ética da vida, que seja capaz de erradicar o joio da violência e desabrochar o respeito à vida humana em todos os aspectos”.

O assédio moral na TV e nas redes sociais

O seriado Glee é um exemplo de situações exageradas de bulling

Dizer que a televisão ressalta estereótipos não é exagero. Basta observar, por exemplo, a forma como os seriados norte-americanos “Os Simpsons” e “Glee” apresentam algumas de suas personagens. Geralmente, são caracterizadas como nerds ou patricinhas e, por isso,  humilhadas, maltratadas e expostas a diversos tipos de situações embaraçosas.

No Brasil, esse “fenômeno da ridiculazação” está presente, principalmente, nos programas humorísticos. Os alvos, podem ser famosos ou anônimos, como faz o programa “Pânico na TV”. E o que dizer das tradicionais pegadinhas, que ficaram famosas no “Programa Sérgio Malandro” e no “Programa João Kléber”?

Casos de bullying em programas de TV são mais comuns do que se imagina, o que muda é a forma como o tema é abordado. A professora de Psicologia da Unifor, Letícia Bessa, acredita que é importante a apresentação de casos de bullying na TV, mas alerta que há um comodismo amparado numa visão naturalista (que acredita que isso é normal e que, por exemplo, faz parte do tornar-se adulto nos casos vividos por adolescentes).

Outra maneira de praticar o bullying é pelas redes sociais. O cyberbullying é praticado quase sempre por jovens e adolescentes que se escondem por meio de identidades falsas. A perseguição é feita com a utilização de celular, dos sites de relacionamento e dos sites de vídeos. No Brasil, ainda não há uma lei específica para punir o cyberbullying.

Sobre o bullying nas redes socias, a psicóloga Letícia Bessa esclarece que são vários os fatores que podem ocasionar essa prática: “As pessoas não são apenas receptoras de influências externas, mas dialogam com essas vozes sociais, apropriando-se das mensagens ouvidas e construindo sentidos particulares.”

É possível identificar os autores através de rastreamentos realizados por profissionais capacitados. É importante que as vítmimas procurem as Delegacias Especializadas em Crimes Cibernéticos. As denúncias de cyberbullying também podem ser feitas através da SaferNet Brasil, associação que é referência no combate aos crimes pela internet.

Brincadeiras de criança são coisa do passado

Os jogos de rua estão se acabando

As tradicionais “brincadeiras de criança” fizeram parte de muitas gerações que hoje se lembram com saudade daquele época. As fantasias criadas pela imaginação fértil dos pequeninos dependiam apenas de sua criatividade de produzir o seu mundo particular.

Os adultos, principalmente os que passaram a sua infância no interior, sabem de cor uma dezena de brincadeiras que, infelizmente, muitas crianças hoje desconhecem. Um passado marcante, que ficou na memória de muitas pessoas.

José Batista de Lima, professor de Semiótica do Curso de Comunicação Social da Unifor, conta que, durante a sua infância, marcada pelo ambiente sertanejo, as brincadeiras eram mais ingênuas. Segundo ele, não só as crianças respeitavam os mais velhos, mas principalmente os mais velhos respeitavam as crianças.

Com a presença cada vez maior da mídia eletrônica e dos meios digitais na vida do homem do campo, a infância sertaneja se modificou. A vida ao ar livre deu lugar a realidade on line. Agora, as pessoas se aproximam à distância. O que era brincadeira, hoje não é mais.

Agora, o mundo das crianças não é mais tão particular. Cada vez mais precoces, elas aprendem na escola muito mais do que ler e escrever. Batista de Lima acredita que a infância de hoje pertence à escola, e não mais aos pais: “Antes os pais criavam os filhos, conviviam com eles. Agora pai e mãe estão no trabalho e o filho na escola. A casa está fechada e o fogo está apagado. Simbolicamente uma casa sem fogo não é lar. Lar vem de lareira, fogo. Na minha infância, ficávamos em torno do fogo do afeto e do fogão digerindo tapiocas, conselhos e cafunés. Escola não dá cafuné nem balança rede.”

Combate ao bullying nas escolas

Solange Teles é especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa

Na opinião da Especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa, Solange Teles, campanhas de conscientização devem ser realizadas dentro das escolas.

RENAN – Como combater o bullying nas escolas?

SOLANGE TELES – Para evitar o bullying, deve ser feita uma campanha de conscientização nas
escolas para que os alunos possam perceber o grau de gravidade que isso pode
ocasionar para o aluno que sofre o bullyng, assim como o(s) colega(s) que
desencadeiam esse tipo de agressão.

RENAN– De que forma a participação dos pais na vida escolar dos filhos pode ajudar

no combate a essa prática?

SOLANGE TELES – A presença dos pais é sempre muito importante na vida escolar dos filhos, pois são eles que devem ser os primeiros a perceber a possível mudança no
comportamento do filho e informar a escola o que pode estar acontecendo
intramuros.

RENAN – Quais atitudes preventivas devem ser tomadas pelos professores?

SOLANGE TELES – O professor deve utilizar de vídeos, músicas e elaborar trabalhos com aspecto social em equipe para desenvolver uma atitude ética e humana e proporcionar um
clima de amizade.

RENAN– E quando o Bullying parte da própria instituição de ensino, o que se deve
fazer?

SOLANGE TELES – Denunciar, para que atitudes desse tipo não seja padrão.

RENAN– É importante que a escola preserve a identidade do aluno vítima de bullying?

SOLANGE TELES – É importante preservar para que não ressalte o(s) ponto(s) que serviram para o bullying, evitando, assim, a super-exposição, ou então potencializar a baixa autoestima.

RENAN – Como os psicólogos realizam o trabalho de acompanhamento das vítimas do
Bullying dentro das escolas?

SOLANGE TELES –  Infelizmente, as escolas públicas não dispõem desse serviço. Se houvesse um serviço de acompanhamento aos alunos, teriam ações de prevenção ao bullying e conscientização do mal que pode causar à pessoa por um tempo longo na vida, ou, às vezes, não consegue superar.

Saiba Mais

Caracterização do bullying: o termo é qualificado como um tipo de assédio moral praticado por alguém que se coloca em condições de exercer o poder sobre pessoa/grupo que julga ser mais fraco. Geralmente os praticantes do bullying apresentam um comportamento agressivo e negativo.

Tipos de bullying: existe o bullying direto, a forma mais praticada entre os agressores (bullies) do sexo masculino, e o bullying indireto, mais comum entre bullies do sexo feminino. Ambos são caracterizados por forçar a vítima ao isolamento social. Algumas técnicas são bastante usadas no bullying, entre elas:

– espalhar comentários
– recusa em se socializar com a vítima
– intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vítima
– criticar o modo de vestir ou outros aspectos sociais (etnia, religião etc).

Confira vídeo sobre o tema:

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Artigo: A dor de pertencer

Por Terezinha T. Joca*

Com o fenômeno da globalização e os ditames de modos de comportamentos e formas de relacionamentos, onde o sujeito para poder ser aceito tem que seguir um modelo criado e imposto; a pessoa que não se sente segura diante de si e que, por algum motivo, não acredita em suas potencialidades diante dos demais, busca de forma desmedida um grupo de iguais. Procura participar de grupos, de tribos, com suas organizações internas e exigências para que possa atender a sua carência de pertencimento a uma dessas tribos e desse modo, muitas vezes, violenta-se e permite ser intimidado por aquele que exerce o poder.

Somado a tudo isso, temos um mundo individualista e de estruturas familiares que deixam o sujeito com uma sensação de não pertença, daí porque muitas crianças, jovens e adultos fugindo da possibilidade de se sentir o diferente, o excluído, passa a acatar os abusos físicos ou morais exercidos pelo agressor praticante do Bullying, que se trata de uma prática agressiva repetitiva e de intimidação ao outro, bastante difundida, nos dias atuais, pela mídia e conhecida por muitos no meio acadêmico. Mas, não é algo exclusivo da escola, encontra-se em vários ambientes sociais e no mundo do trabalho é conhecido como assédio moral.

Diante desse fenômeno psicossocial que pode gerar sérios problemas à saúde física e mental da vítima e do agressor, em geral, a vítima omite o que vem ocorrendo, por medo extremo da represália do intimidador e por receio de ser excluído do grupo, da rede social, pelos seguidores desse líder. Já no meio laboral, a submissão pode vir pela necessidade de se manter na empresa, seja pelo status que ela representa, seja por necessidade financeira ou por medo de arriscar trocar de emprego. Dessa forma o sujeito gera um sofrimento maior e silencioso, para si, em troca do pertencimento a esse grupo, à essa tribo, à essa rede, à essa empresa.

[*Psicóloga Clínica e Professora da Universidade de Fortaleza]

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Praia do Futuro: um lugar de todos?

Vendedor de camarão observa, de longe, a chegada do segurança da barraca

Por Raone Saraiva

O slogan escrito na placa da barraca chama atenção: sua casa na praia. Mas como pode alguém ter uma casa na areia da praia, se o local é um bem coletivo? Será que todas as pessoas que frequentam a praia se sentem como se estivessem em seu próprio lar? Todas podem transitar livremente pelos estabelecimentos, mesmo quando não for consumir? E o que pode acontecer com um ambulante caso queira vender suas mercadorias nas dependências das barracas?

Essas são apenas algumas das questões polêmicas que giram em torno desse local cheio de contrastes chamado de Praia do Futuro. O lugar é um dos mais frequentados pelos moradores de Fortaleza, cerca de 100 mil pessoas passam por lá toda semana. Na alta estação e nos feriados, esse número chega a dobrar por causa dos turistas.

As cadeiras ficam na areia da praia e impedem o livre fluxo de banhistas

O cenário da praia é composto por 154 barracas, distribuídas em um espaço contínuo de sete quilômetros. Desse total, mais de 40 estão abandonadas.

Seja na estrutura, no espaço que ocupam, no serviço, no tipo de público ou no número de funcionários, as barracas que ainda sobrevivem apresentam suas diferenças. Por outro lado, todas se tornam iguais quando colocadas diante de um mesmo dilema: ser ou não ser retiradas do lugar onde estão.

Fiscal das leis

Essa retirada pode acontecer porque a Justiça Federal, por meio do juiz da 4ª Vara José Vidal Silva Neto, acatou a ação civil pública de autoria do Ministério Público Federal (MPF), que pede a remoção das barracas da faixa de praia, que é patrimônio da União. (Clique para entender o caso)

Como a decisão não envolve apenas uma questão ambiental, mas também social e econômica, a possível saída desses estabelecimentos da faixa de praia causa divergências entre os moradores de Fortaleza.

Segundo Alessander Sales, procurador da República no Estado do Ceará e autor da ação, a permanência das barracas causa impactos ambientais e contraria a Lei Federal de nº 7.661/88, que diz respeito ao gerenciamento costeiro. “O objetivo da ação é devolver a faixa de praia para a população, que está sendo apropriada indevidamente por donos de barracas”, afirma.

Assista ao depoimento do procurador Alessander Sales
Muitos acham que a praia ficará vazia. A vendedora Sarah Rios, frequentadora habitual, é uma das pessoas que estão com medo de que o lugar fique deserto. O procurador Alessander Sales, porém, garante que o intuito do MPF não é deixar o local sem nenhum estabelecimento. Ele acrescenta que as barracas devem ser primeiramente retiradas, depois transferidas e padronizadas em um espaço fora da faixa de areia.

Entretanto, o espaço situado fora da areia não comportaria a estrutura atual da maioria dessas barracas, considerando que muitas delas ocupam uma grande área. Por isso, os proprietários resistem à padronização, sob o argumento de ser algo inviável para continuidade dos negócios.

Assista ao depoimento da empresária Fátima QueirozEssa é a opinião de Fátima Queiroz, dona de um dos estabelecimentos e também presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro. Para ela, a retirada das barracas é uma forma de renegar a cultura da população de Fortaleza.

Ambiental ou econômico?

As barracas atrapalham a visão e, muitas vezes, o acesso ao mar é prejudicado

Segundo a Lei Federal de nº 7.661/88, o acesso à praia deve ser realizado em qualquer sentido ou direção e deve ser proibido todo o tipo de objeto que dificulte ou impeça o ingresso das pessoas no lugar.

Para o economista e ambientalista João Saraiva, os empreendimentos que foram construídos na praia dificultam o acesso das pessoas ao mar. Ele afirma que a ocupação de parte do litoral causa danos ambientais, desde a contaminação do solo, através da produção de resíduos, à poluição do lençol freático, devido à falta de esgotamento sanitário. “Os interesses meramente econômicos não podem sobrepor aos interesses da coletividade”, argumenta.

A questão ambiental, porém, parece não influenciar a opinião de alguns, como é o caso de Vando Oliveira, também dono de barraca. Segundo ele, a remoção das propriedades pode prejudicar a geração de emprego e renda, além de afastar os turistas.

A opinião de Vando é a mesma do motorista Paulo Sérgio Maciel, frequentador assíduo da Praia do Futuro. Já a vendedora Nilde Silva pensa diferente e critica os empreendimentos do lugar. Ela vende chapéus no calçadão da praia e diz ser a favor da padronização das barracas por considerar algumas instalações um “verdadeiro exagero”.

Público ou privado?

Nilde, de vermelho, reclama da dificuldade de vender seus chapeús entre os frequentadores das barracas de praia

O que Nilde classifica como exageros são instalações como piscinas, lojinhas, sauna, cyber café, caixa eletrônico e salão de beleza, por exemplo. Tudo isso na praia, a poucos metros do mar, acaba dividindo o lugar entre o público e o privado, entre o gratuito banho de mar e o pago banho de piscina.

Fátima Queiroz explica que essas construções proporcionam um lazer de qualidade para as pessoas. “Não há nada em Fortaleza que agrade a população como as barracas da Praia do Futuro do jeito como elas são”, ressalta.

A afirmação da presidente da Associação dos Empresários, porém, é questionada por Paulo Fernandes, jovem morador do Serviluz, bairro humilde de Fortaleza que fica localizado próximo da praia.

Quando vai à Praia do Futuro com os amigos, Paulo costuma ficar longe das barracas, principalmente das mais sofisticadas. O jovem explica porque ele e várias pessoas de seu bairro preferem não transitar entre os estabelecimentos. “Até para andar por dentro das barracas é difícil. Muitas são cercadas, e se você resolver entrar só para sentar e não for consumir, nem pensar”, alega.

Embora não seja vendedora ambulante, Nilde Silva disse que já tentou vender seus chapéus nas dependências de algumas barracas por várias vezes, mas sempre foi impedida pelos seguranças. “Eu nem tento mais. Sei que eles não vão deixar mesmo”, explica.

O proprietário Vando Oliveira afirma que não permite a entrada de ambulantes em sua barraca porque, segundo afirma, eles tiram o sossego dos clientes quando tentam vender os produtos. Quanto à venda de alimentos, o proprietário é enfático: “Eu não posso deixar um vendedor ambulante vender camarão aqui. Se um cliente passar mal? Ele vai colocar a culpa na comida da minha barraca”, defende.

O Futuro da Praia

A decisão judicial determina que todas as instalações sejam retiradas da faixa de areia, inclusive piscinas

Apesar da decisão judicial, ainda não existe data prevista para a remoção das barracas. O procurador Alessander Sales afirma que o MPF deve elaborar, em parceria com a Prefeitura de Fortaleza e o Governo do Estado do Ceará, um plano de reurbanização da Praia do Futuro. “Esse projeto possibilitará a geração de mais empregos sem agressão ao meio ambiente. Com a padronização das barracas, a renda será distribuída de forma igual entre os proprietários, tendo em vista que muitas barracas fecharam por causa da concorrência desleal”, declara.

Fátima Queiroz garante que os empresários vão brigar pela permanência das barracas até onde for preciso, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. “As autoridades não podem tomar uma decisão catastrófica como essa”, comenta.

A faixa de praia pode ficar toda assim, sem nenhum obstáculo

Os interesses divergentes podem fazer com que a limpeza da praia não aconteça de imediato, mas o MPF acredita que a faixa de areia totalmente livre, sem nenhuma construção, será entregue para a população em médio prazo. Enquanto o desfecho da história não chega, o slogan na placa de outra barraca traz à tona uma ideia mais democrática: feita para você. Essa pode ser a nova Praia do Futuro.

Confira mais fotos!

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Especial Intolerância: (des)gosto musical

Por Joafrânia Nogueira e Aryanne Lima

“Questão de gosto não se discute”, diz o ditado popular. Mas será que não se discute mesmo? A frase parece conter em sua própria estrutura verbal a possibilidade da condição do gosto ou da ausência dele.

A discriminação musical não é uma prerrogativa apenas de pessoas não esclarecidas ou não letradas. Alguns intelectuais alemães do início do século XX que integraram a Escola de Frankfurt, na tentativa de explicar o processo de industrialização da cultura, tentaram qualificar a arte dividindo-a entre pura e impura.

Theodor Adorno, um desses teóricos, chegou a afirmar que as artes popularizadas (ou industrializadas) não estão na categoria de arte. Para ele, essas obras reproduzidas “não passam de um negócio, eles a utilizam como uma ideologia destinada a legitimar o lixo que propositadamente produzem”.


As marcas de preconceito musical se manifestam de diversas maneiras. Há quem apenas torça o nariz para “mau gosto” do outro e há os que não resistem à tentação de tripudiar da ”falta de gosto” de quem tem preferência musical diferente da do ofensor. O vídeo abaixo mostra a falta de cordialidade entre forrozeiros e roqueiros. (Forro X rock)

De acordo com o cientista político Roseno Amorim, a intolerância cultural advém, geralmente, de um comportamento de ignorância em relação à outra cultura. Para ele, a raiz desse problema no Brasil está em um tipo de visão de mundo que se constituiu desde a colonização, que é a de uma postura etnocêntrica.

Amorim explica que a liberdade de expressão é o resultado do respeito às diferenças. Para ele, “só é possível exercer uma cidadania plena quando o indivíduo conhece e respeita deveres e direitos que o estado democrático estabelece”. Ele defende ainda que as normas, ao invés de limitar a liberdade, como muitos pensam, elas servem para garantir a liberdade.

O etnocentrismo – essa visão de mundo a partir da própria cultura e dos próprios valores – gera dificuldades em pensar o diferente. Apesar de multicultural, na sociedade brasileira ainda há muito preconceito. Houve avanços nas últimas décadas em termos de direitos e garantias individuais.

A tolerância já era discutida no século VII. O filósofo John Locke, precursor do Iluminismo, nesse período, escreveu a Carta Sobre a Tolerância. Nela, Locke diz que o problema da intolerância resulta da confusão entre dois mundos: o civil e o religioso.

Seja na esfera religiosa, cultural, racial ou mesmo social, a intolerância constitui-se uma atitude de rejeição contra a liberdade de expressão ética do outro.

Assista ao vídeo:

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Especial Intolerância: Intolerância religiosa

Por Joafrânia Nogueira e Aryanne Lima

A religião cristã é uma instituição que, apesar de pregar a paz e o amor entre as pessoas, nem sempre se dispõe a vivenciar, na prática, essas propostas. Isso acontece porque nem todos os religiosos aceitam com coerência a diversidade de pensamentos e ideologias de doutrinas diferentes.

A violência religiosa não é física (pelo menos na maioria dos casos). Ela se manifesta na esfera ideológica, por meio de doutrinas instituídas pela própria igreja. A católica, por exemplo, defende o culto aos santos em forma de imagens esculpidas. Já a evangélica condena ta prática.

Em conversa com membros das duas religiões, nenhum deles confessou sentir rejeição por pessoas de credos diferentes. Para ambos, a recusa é contra a prática religiosa e não contra o indivíduo.

Apesar da aparente cordialidade, a matéria mostra que apesar da existência de uma cartilha contra a intolerância religiosa, lançada em 2009, no Rio de janeiro, a paz e o amor entre pessoas de diferentes credos ainda é algo que precisa sair do campo do discurso para a realidade prática.

Veja o vídeo abaixo e conheça as diferentes opiniões sobre o assunto:

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Especial Intolerância: Torcidas Organizadas

Por Joafrânia Nogueira e Aryanne Lima

Estádio Castelão, Fortaleza-Ce. (Jogo entre Fortaleza e Ceará)

Torcidas organizadas É claro que nem todos os integrantes de torcidas organizadas são

adeptos da violência contra torcedores de times rivais. Para desmistif

icar o estigma de que torcida organizada é torcida violenta, Lula Pereira, ex-técnico de futebol, explica que “a violência

não é um pré-requisito desses grupos. Na verdade, eles são organizados porque são uniformizados, têm associações, clubes, e não porque são violentos”.

O fato é que existe uma minoria que se organiza com o intuito de brigar com o grupo do time adversário. É aí que a intolerância se manifesta. Jéferson Ferreira, torcedor do Ceará, confessa que já fez parte de um grupo violento, mas que, depois do nascimento da filha, hoje com seis meses, amadureceu.

“Não vale a pena. A gente corre o risco de morrer ou de ser preso por causa de confusão de time”, comenta cabisbaixo.

Para o torcedor do Fortaleza Luiz Eugênio, o melhor mesmo é torcer em paz. Deve ser por isso que ele não perde uma oportunidade de levar a família para o estádio. “Todos aqui em casa somos torcedores do Fortaleza e do Flamengo. Sempre fomos aos jogos nas arquibancadas, mas nunca nos envolvemos em briga”, disse Eugênio.

É fácil perceber a paixão desse torcedor. Em todos os lugares da casa existe uma referência da demonstração de afeto pelos dois times. Na sala, canecas do Flamengo enfeitam a estante juntamente com leões (mascote tricolor) de pelúcia caracterizados com as cores vermelha, branca e azul – símbolo do Fortaleza.

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