Gentileza para com os que não falam

Por Gregório Donizeti e Amanda Carvalho

Lessie

Todos nós que moramos em grandes metrópoles dividimos o espaço físico de nossa cidade com animais que necessitam de nossa companhia para que possam sobreviver: os cães e gatos domésticos, os grandes amigos das famílias. Mas muitas vezes nossa presença e nossas ações podem prejudicar esses animais e nossa cidade pode ser uma selva para eles. A maioria dos cães e gatos das cidades vivem na ruas, vários deles nascem e morrem nelas, passam por uma vida de dificuldades e insegurança. Qualquer um que tenha alguma empatia por esses animais se sente mal com esta realidade, mas só alguns poucos tomam uma atitude e fazem algo para melhorar a vida dessas criaturas.

Mariana Baraldi e Gustavo Jorge, alunos de zootecnia, juntamente com um grupo de amigos fundaram UPAC (União Protetora dos Animais Carentes) em 2006. Eles eram amigos que prestavam serviços de proteção animal de forma individual, resgatando animais e levando para suas casas. Ajudando e tratando cachorros e gatos, conheceram amigos em comum na faculdade e chamaram para criar um grupo de forma mais organizada para tentar conseguir parcerias com veterinários e avançar, até se tornar o que é a UPAC hoje.

Abrigo dos cães na Sabiaguaba.

A UPAC se oficializou como ONG em 2009 e hoje tem 11 membros ativos. Possui uma organização presidente, sendo parte integrante da diretoria: a presidente Mariana, o vice-presidente Armando, dois tesoureiros, uma secretária e um subsecretário. Também existem membros voluntários que cuidam da parte de comunicação e marketing do grupo, dos abrigos, dos animais, da loja da UPAC e do bazar, que é realizado todo mês. A loja da UPAC, que funciona pela internet, mas entrega os produtos nas casas dos compradores, vende artigos da ONG: camisas, bonés, etc. A UPAC também faz um bazar mensal, geralmente em comunidades carentes, de produtos usados que ajuda bastante os integrantes a custear as dividas do abrigo.

Abrigo dos gatos.

A ONG possui dois abrigos, um abrigo de cães e um de gatos, um alugado e outro “emprestado”, que são mantidos pelo dinheiro conseguido através da loja, do bazar e de doações de voluntários; os membros efetivos fazendo doações mensais. Os abrigos possuem um funcionário fixo em cada um, fazendo limpeza, aplicando medicação e dando comida todos os dias, enquanto os membros efetivos se revezam duas vezes por semana para visitar os abrigos, checando se está tudo certo, se os animais precisam ir ao veterinário ou serem castrados. O abrigo dos cães possui aproximadamente 45 cães e o dos gatos aproximadamente 150 gatos, o número muito maior de gatos é devido aos apelos constantes de gatos e sua reprodução acelerada, de três em três meses uma gata está no cio, em um ano ela pode ter até quatro ninhadas, equivalente a 20 filhotes. Segundo os membros da UPAC, o abandono de gatos em praças da cidade são muito frequentes.

A organização frequentemente recebe denúncias de maus tratos e abandono da parte dos donos dos animais, que logo encaminha essas denúncias para que sejam feitas ao órgão responsável por isso, que é a Polícia Ambiental, pois abandono e maus tratos são crimes previstos por lei. Os membros da UPAC frisam que as pessoas façam a denúncia formal, pois só assim a população irá se conscientizar que essas práticas são criminosas. A própria ONG as vezes intervém nessas casas com donos que tratam mal seus animais, deixando-os presos em casa sem água e sem comida no sol, tentando convencê-los que seria melhor dá-lo para adoção deslocando o animal para o abrigo.

Vacina da Frida.

A ONG resgata animais das ruas, vítimas de maus tratos, doentes e alguns do CCZ, Centro de Controle de Zoonoses. O CCZ de Fortaleza não faz nenhum tipo de tratamento com os animais, funciona como uma espécie de depósito, para onde o animal é levado, passa alguns dias e depois é sacrificado, pois existem muitos animais doentes por lá, e os sadios acabam ficando doentes e são também sacrificados. A UPAC costuma resgatar esses animais antes de irem para o CCZ, principalmente cadelas e filhotes. A organização fica ciente desses animais de rua através de muitos apelos que moradores fazem pela internet e por telefone, eles estimam receberem 20 apelos por dia. Infelizmente a UPAC não consegue dar assistência a todos esses animais.

Raphaele, voluntaria da orgamização, afirma que “o CCZ deveria ser um órgão que resgatasse, trata-se os animais e os encaminhassem para adoção, mas sempre tendo um controle da natalidade desses animais. Possivelmente, também com o apoio das ONGs, este se tornaria um trabalho muito mais completo”. Um dos únicos CCZs do Brasil que faz esse trabalho é o de São Paulo, já o do Ceará sacrifica animais duas ou três vezes por semana. Por enquanto, são as ONGs do gênero da UPAC que fazem esse trabalho aqui em Fortaleza, de recuperação de animais que precisam de tratamento e encaminhamento para adoção, divulgando diariamente as fotos e os dados desses animais na internet.

Reportagem da Tv Verdes Mares de maio de 2010 no abrigo da UPAC:

Solução para caninos e felinos

Um dos 150 gatos do abrigo.

Feiras de adoções são realizadas de dois em dois meses pela organização, geralmente acontecendo em praças e shoppings da cidade, mas várias parcerias são feitas com clínicas veterinárias e Pet Shops para que as feiras aconteçam nesses espaços. Essas feiras ajudam na rotatividade dos abrigos, que sempre mantêm o mesmo número de cães e gatos, quantidade que é possível dar um atendimento e tratamento de qualidade. Somente o número de gatos que vem aumentando bastante devido a dificuldade de adoção desses animais, pois muitas pessoas tem preconceito com gatos e especialmente com gatos pretos, que são maioria na abrigo. Mas maior dificuldade da UPAC é conseguir a adoção de animais adultos, pois a adoção é preferencialmente de filhotes. Por isso eles estão montando uma campanha em janeiro de 2011, juntamente com o curso de inglês CNA, que cedeu o espaço da escola para exibição de vídeos e depoimentos de pessoas que adotaram animais adultos, tentando de alguma forma incentivar a adoção dos mais velhos.

As adoções são feitas após uma curta entrevista com a pessoas que deseja adotar o animal, para eles terem certezas de que o cão ou gatyo irá viver em um lar feliz, diferente do início de sua vida de tormento nas ruas ou sob maus tratos. E ainda é feito um acompanhamento do animal adotado durante um ou dois meses. No caso de filhotes, até que o animal seja castrado.

Olívia no banho.

A ONG realiza palestras em escolas e comunidades, falando sobre responsabilidade com seus animais, maus tratos e vegetarianismo. Os membros da UPAC também discutem temas mais polêmicos como o uso de animais de tração e animais usados em experiências. Também são muito importantes as palestras em comunidades mais necessitadas, pois é lá que ocorrem o maior número de maus tratos, apesar de as pessoas carentes também serem as que mais resgatam e cuidam de animais.

Quanto aos planos e projetos para o futuro, a UPAC busca um abrigo que seja próprio, com o desejo de se livrar do aluguel. Por ser um local alugado, os voluntários não podem investir em uma melhor infra estrutura. O desejo é de construir, em um abrigo definitivo, uma clínica para diminuir os custos com despesas veterinárias. “Todo animal que tá doente tem que ser internado, porque é complicado manter um animal doente no abrigo. Tem que dar medicação duas vezes por dia, às vezes o animal precisa de soro… Então, precisa-se de um local adequado para isso”, declara Raphaele, voluntaria da ONG.

Mariana com seus adorados cães.

Todos os membros e voluntários da UPAC simplesmente adoram os animais e são muito apaixonados por sua causa, dedicando quase todo o tempo livre para manter os abrigos e os tratamentos em andamento. Todos eles possuem cães e a gatos em suas casas e usam delas como uma extensão do abrigo, a dedicação é total e, segundo eles mesmos, a gratificação também. “Se você me perguntar se eu largaria tudo pra ficar com as pernas pra cima, num prédio desses olhando pro tempo, eu não queria de jeito nenhum! Quem gosta de bicho mesmo, e quer fazer a diferença, se apaixona pelo trabalho”, diz Raphaele.

Comercial “Ignorância, acabe come este crime!”:



Para ser membro voluntário, a pessoa precisa participar de mais de 70% das atividades do grupo, das reuniões e estar responsável ou auxiliando um outro membro em alguma área, como notas fiscais, lojinha, divulgação, abrigos, entre outras.

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Uma resposta para Gentileza para com os que não falam

  1. Natália disse:

    Ótima reportagem!

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