Vivendo e convivendo com o vírus HIV

Por Leonardo Capibaribe

Durante a historia da humanidade o homem foi acometido de várias doenças que se tornaram estigmas sociais, como exemplo: a hanseníase, a tuberculose, o tifo, a varíola e outras epidemias que assolaram a população

Conhecendo o Centro de Convivência Madre Regina

Quase no final do século XX o mundo é surpreendido por uma doença que escolheu como primeiros doentes, principalmente os homossexuais do sexo masculino que pelos sintomas apresentados, definhavam, emagreciam com crises de diarréia, sarcoma de Kaposi e chegando a óbitos de maneira muito rápida, sem que a medicina conseguisse resolver os casos. Na década de 80, cientistas franceses identificaram e exolaram o vírus que foi denominado de HIV. Dando o primeiro e evolutivo passo para o tratamento dessa doença que desafiava a sociedade contemporânea. Em um curto período de tempo foram se acumulando e evoluindo novas pesquisas e novas formas de tratamento, medicamentos mais eficientes, dando aos portadores do HIV a possibilidade de uma vida mais continuada, assim como campanhas mundiais de orientação a população sobre educação e sexualidade, como forma mais eficiente de evitar a propagação desse vírus.

Diante desse quadro, e o fato dessa doença está ligada em determinados casos à sexualidade dos seres humanos, a sua capacidade de multiplicação imponderável acabou atingindo todas as camadas econômicas, de cor, raça e credo.

Em virtude disso fez surgir no mundo inteiro, principalmente no terceiro setor, inúmeras organizações que foram capazes de capitalizar recursos, conhecimento e uma massa crítica formadora de opinião e voluntariados na luta contra a Aids. Essas entidades de acordo com a sua matiz foram subdividindo-se de acordo com sua forma de interesse de atender esses grupos. Dentro do menu de ofertas que militam nessa causa eu identifiquei na Creche Madre Regina, um exemplo a se seguir.

O Centro teve sua fundação no ano de 1993, é uma instituição religiosa e filantrópica da Associação Congregação de Santa Catarina que tem o objetivo de acolher pessoas vivendo com HIV/ AIDS, oferecendo serviços de assistência social, psicológica e pedagógica, favorecendo assim a um crescimento pessoal e a uma convivência saudável, trazendo para essas pessoas uma melhor qualidade de vida.

Vendo a necessidade também de um melhor atendimento às crianças que vivem e convivem com HIV, foi fundada no ano de 1999 a Creche Madre Regina, que tem a missão de criar oportunidades de educar e desenvolver o ser humano desde seu nascimento. “Neste projeto nos propomos exercer nossas atividades, à luz do carisma e da espiritualidade de nossa fundadora Madre Regina”, afirma a assistente social Anézia Sampaio.

Oportunidades e formas de acompanhamentos educacionais

Cartazes das campanhas

Tendo na educação a sua principal forma de inserção social, o Centro de Convivência Madre Regina disponibiliza uma grade repleta de atividades para seus freqüentadores, que passam por um período integral desenvolvendo seus potenciais em laboratórios de informática, aulas de arte, brinquedoteca, musicalização, espiritualidade, ginástica, cursos e terapias ocupacionais.

Segundo a coordenadora pedagógica da Creche Madre Regina, Valdenira Alves, o trabalho realizado é o reflexo da conscientização mundial em relação ao HIV.

Valdenira afirma que mesmo contando com recursos financeiros próprios, a creche não recebe uma ajuda regular da prefeitura de Fortaleza e acredita que a mensagem de voluntariado e amor sempre conseguirá vencer qualquer tipo de obstáculo financeiro.

“Quantas vezes nos deparamos com alguma limitação financeira, mas continuamos acreditando que nosso trabalho é feito com muito amor e de repente a resposta nos é dada imediatamente e assim já estamos há 15 anos em Fortaleza”, afirma emocionada.

Depoimentos das mães, usuários, voluntários e colaboradores do Centro Madre Regina

“Aqui é lugar de oportunidades”,. afirma A.M.S

“Fico tranqüila aqui, sei que posso ir trabalhar com tranqüilidade porque tem pessoas que cuidarão bem deles”, afirma J.G.

“Aqui é minha segunda casa, onde eu falo abertamente sobre o HIV”, afirma o usuário C.H.L.

“É um lugar de encontro que ajuda pessoas a conviver com HIV, aqui eu ensino, mas aprendo muito” , afirma o colaborador J.H.

“É bom porque a gente aprende muito. Até meu comportamento melhorou. Aqui ensina a gente a viver de novo”, enfatiza L.C.M.

Convivendo com a infecção pelo HIV

O diagnóstico de infecção por HIV tem muitas conseqüências emocionais, por causa da grande probabilidade de evolução para a Aids.

Mesmo conhecendo a realidade, as pessoas tendem a imaginar que jamais serão atingidas e ficam confusas, sem saber o que fazer, em virtude do choque da revelação.

Muitas preferem não falar a ninguém e não procuram atendimento. Essa é a forma que encontram de ignorar a ameaça, como se, assim, ela não existisse. Outra reação comum é a de raiva ou culpa. Há também o medo de que outras pessoas saibam, de adoecer e de morrer. No caso das mulheres, muitas temem que seus filhos tenham Aids ou fiquem desamparados.

Todos esses sentimentos não podem ser evitados e fazem parte de uma crise emocional. Os HIV positivos enfrentam sofrimento psicológico e modificações na sua vida sexual. O mais importante é que possam contar com a solidariedade das pessoas ao seu redor. O comportamento de quem convive com um soropositivo é fundamental para o seu bem-estar.

Números do vírus HIV no Ceará

Mobilização na Praça do Ferreira

De 1980 até 2010 o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) notificou exatamente 12.062 casos de Aids no Ceará, somente este ano foram diagnosticadas 394 pessoas.

Como forma de prevenir e ao mesmo tempo sensibilizar a população da importância de usar a camisinha e fazer o teste de HIV – tendo em vista que, segundo o Ministério da Saúde, dos cerca de 630 mil brasileiros que vivem com HIV em todo o País, 255 mil não sabem que foram infectados – é que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) organizou na Praça do Ferreira, no Dia Mundial de Luta Contra a Aids, 1º de dezembro, um dia cheio de atividades para marcar a data com informação, prevenção e sensibilização.

Neste ano, o foco foram os jovens, que representam a maior parcela entre as pessoas que vivem com o HIV, e na desconstrução do preconceito. É tanto que o público em sua maioria era de jovens, e homossexuais. O coordenador de diversidade sexual da Prefeitura de Fortaleza, Orlaneudo lima, afirma que a iniciativa demonstra o nível de amadurecimento que a população está atingindo em relação aos cuidados necessários com a doença, porém ressaltou que o quê estava sendo feito no dia, deveria acontecer diariamente. “Ainda nota-se o preconceito na cidade, a maioria das pessoas acham que apenas os homossexuais fazem parte de um grupo de risco, quando na verdade, hoje isso não existe, todo mundo está susceptível”, disse.

A coordenadora municipal de DST Aids e hepatites virais de Fortaleza, Renata Mota, informou que além das campanhas preventivas, a Secretaria de Saúde Municipal (SMS) está discutindo uma forma de se criar um rede integrada de internação. Isso porque, como foi dito pela assistente social, e representante do Hospital São José (HSJ), Albaniza Leite, esse é um dos maiores problemas. “Hoje só quem interna a maioria desse pacientes somos nós”.

Dia Mundial contra a Aids by leonardocapibaribe

Crescimento no número de mulheres infectadas

A articuladora da Regional III, Cissa Andrade, reforça a importância do uso dos preservativos nas relações sexuais e reintera que o número de jovens infectados em comparação aos anos 80, teve um aumento considerável no país. Antigamente tinha-se a média de que para cada 15 homens com HIV haveria uma mulher infectada, hoje em dia esses números já são mais bem maiores, chegando a marca de 10 mulheres.

Acesso da população aos medicamentos

No último dia 02 de dezembro o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é necessário produzir alternativas para ampliar o acesso da população mundial a medicamentos usados no tratamento contra o vírus HIV. A afirmação foi feita em uma cerimônia no Palácio do Itamaraty para lembrar o Dia Mundial de Luta contra a Aids.

Segundo o presidente Lula, é preciso analisar o modelo de comércio existente no mundo e encontrar alternativas para fazer frente às medidas restritivas sofridas por países mais pobres, sobretudo os africanos. Ele disse que, além do combate à fome, é essencial a luta contra a Aids naquele continente para o surgimento de uma nova África, que poderá fazer um mundo mais justo.

Serviço:

Centro de Convivência e Creche Madre Regina
R. Tenente Marques, 131 Presidente Kennedy
Fone: 85- 3487-2707
E-mail: ccmr@veloxmail.com.br

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