Artigo: A dor de pertencer

Por Terezinha T. Joca*

Com o fenômeno da globalização e os ditames de modos de comportamentos e formas de relacionamentos, onde o sujeito para poder ser aceito tem que seguir um modelo criado e imposto; a pessoa que não se sente segura diante de si e que, por algum motivo, não acredita em suas potencialidades diante dos demais, busca de forma desmedida um grupo de iguais. Procura participar de grupos, de tribos, com suas organizações internas e exigências para que possa atender a sua carência de pertencimento a uma dessas tribos e desse modo, muitas vezes, violenta-se e permite ser intimidado por aquele que exerce o poder.

Somado a tudo isso, temos um mundo individualista e de estruturas familiares que deixam o sujeito com uma sensação de não pertença, daí porque muitas crianças, jovens e adultos fugindo da possibilidade de se sentir o diferente, o excluído, passa a acatar os abusos físicos ou morais exercidos pelo agressor praticante do Bullying, que se trata de uma prática agressiva repetitiva e de intimidação ao outro, bastante difundida, nos dias atuais, pela mídia e conhecida por muitos no meio acadêmico. Mas, não é algo exclusivo da escola, encontra-se em vários ambientes sociais e no mundo do trabalho é conhecido como assédio moral.

Diante desse fenômeno psicossocial que pode gerar sérios problemas à saúde física e mental da vítima e do agressor, em geral, a vítima omite o que vem ocorrendo, por medo extremo da represália do intimidador e por receio de ser excluído do grupo, da rede social, pelos seguidores desse líder. Já no meio laboral, a submissão pode vir pela necessidade de se manter na empresa, seja pelo status que ela representa, seja por necessidade financeira ou por medo de arriscar trocar de emprego. Dessa forma o sujeito gera um sofrimento maior e silencioso, para si, em troca do pertencimento a esse grupo, à essa tribo, à essa rede, à essa empresa.

[*Psicóloga Clínica e Professora da Universidade de Fortaleza]

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