Especial Intolerância: (des)gosto musical

Por Joafrânia Nogueira e Aryanne Lima

“Questão de gosto não se discute”, diz o ditado popular. Mas será que não se discute mesmo? A frase parece conter em sua própria estrutura verbal a possibilidade da condição do gosto ou da ausência dele.

A discriminação musical não é uma prerrogativa apenas de pessoas não esclarecidas ou não letradas. Alguns intelectuais alemães do início do século XX que integraram a Escola de Frankfurt, na tentativa de explicar o processo de industrialização da cultura, tentaram qualificar a arte dividindo-a entre pura e impura.

Theodor Adorno, um desses teóricos, chegou a afirmar que as artes popularizadas (ou industrializadas) não estão na categoria de arte. Para ele, essas obras reproduzidas “não passam de um negócio, eles a utilizam como uma ideologia destinada a legitimar o lixo que propositadamente produzem”.


As marcas de preconceito musical se manifestam de diversas maneiras. Há quem apenas torça o nariz para “mau gosto” do outro e há os que não resistem à tentação de tripudiar da ”falta de gosto” de quem tem preferência musical diferente da do ofensor. O vídeo abaixo mostra a falta de cordialidade entre forrozeiros e roqueiros. (Forro X rock)

De acordo com o cientista político Roseno Amorim, a intolerância cultural advém, geralmente, de um comportamento de ignorância em relação à outra cultura. Para ele, a raiz desse problema no Brasil está em um tipo de visão de mundo que se constituiu desde a colonização, que é a de uma postura etnocêntrica.

Amorim explica que a liberdade de expressão é o resultado do respeito às diferenças. Para ele, “só é possível exercer uma cidadania plena quando o indivíduo conhece e respeita deveres e direitos que o estado democrático estabelece”. Ele defende ainda que as normas, ao invés de limitar a liberdade, como muitos pensam, elas servem para garantir a liberdade.

O etnocentrismo – essa visão de mundo a partir da própria cultura e dos próprios valores – gera dificuldades em pensar o diferente. Apesar de multicultural, na sociedade brasileira ainda há muito preconceito. Houve avanços nas últimas décadas em termos de direitos e garantias individuais.

A tolerância já era discutida no século VII. O filósofo John Locke, precursor do Iluminismo, nesse período, escreveu a Carta Sobre a Tolerância. Nela, Locke diz que o problema da intolerância resulta da confusão entre dois mundos: o civil e o religioso.

Seja na esfera religiosa, cultural, racial ou mesmo social, a intolerância constitui-se uma atitude de rejeição contra a liberdade de expressão ética do outro.

Assista ao vídeo:

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