Os transportes escolares como forma de gentileza

Por Karol Pinto e Daniel Basílio

Os transportes escolares ainda são um dos serviços mais utilizados pelas famílias que não possuem tempo para transportar seus filhos para a escola. Mais de 35 mil crianças são atendidas pelo serviço em Fortaleza, segundo o Sindicato de Transportadores de Escolares do Ceará (Setrece).

O motorista Flávio Montenegro está há 14 anos no ramo e fala da responsabilidade de fazer o transporte de crianças todos os dias para a escola. “É um trabalho que requer bastante cuidado, afinal de contas, estamos trabalhando com os filhos de outras pessoas e somos completamente responsáveis por eles”, afirma.

Dedicação da mãe ao pegar sua filha na escola

Antes de ligar o motor do veículo, Flávio atende algumas exigências que não são impostas apenas por lei, mas por sua conduta. Como costume, ele sempre observa se todas as crianças estão no carro, sentadas e devidamente seguras com o cinto. “Por toda a minha cautela com essas crianças, eu tenho clientes fixos que procuram meu serviço há mais de 10 anos”, orgulha-se.

Para a enfermeira, Socorro de Oliveira, o benefício dos transportes escolares ajuda não só com a comodidade, mas também é uma forma de interação entre as crianças. “Quando o meu sobrinho Pedro veio morar aqui, ele era bastante acanhado. Mas depois que eu contratei o serviço, ele passou a ter uma maior facilidade de comunicação com os coleguinhas que também vinham com ele no transporte. Realmente ajuda muito esse trabalho desses verdadeiros anjos dos transportes escolares”, desabafa.

Há cinco anos Sérgio de Lima transporta escolares, mas antes de começar nesta profissão, ele dedicou-se a concluir a faculdade de Direito. “O que muitos não sabem, é que a maioria de nós somos formados”. Sérgio conta que muito dos seus colegas também tem formação superior. “O César Guimarães é administrador de empresas, a Darci Teotônio formou-se em contabilidade e a Carmoniza Medeiros é pedagoga. Todos eles estão há mais de 10 anos nos transportes escolares”, disse.

Um dos grandes motivos que fazem estes profissionais recorrerem ao serviço é o poder aquisitivo oferecido por ele. Segundo Ilka Nepomuceno, há 13 anos nos transportes, o valor que eles ganham em comparação ao que poderiam ganhar como graduados, é bastante inferior. Sérgio de Lima confirma o que a companheira de profissão fala. “Se fosse exercer a minha profissão de advogado ganharia bem menos do que ganho como motorista de transportes escolares particulares. Além do mais, faço isso porque gosto e me sinto bem”.

Dentro da Lei

Os motoristas devidamente regularizados para o serviço de trasportes escolares devem atender a vários requisitos impostos pela Lei n° 7.163. O problema é que mais de dois mil desses veículos não são regularizados pela Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor). Segundo ela, apenas 701 transportes são cadastrados e circulam regularmente pela capital.

De acordo com o Setrece, os motoristas não tem por obrigação serem cadastrados no Sindicato, mas devem portar o registro de licenciamento em seu veículo. A vantagem do cadastro é a facilidade do acesso na hora da busca dos clientes, que poderão ser feitas no próprio site da instituição.

Olhar Profissional

A psicóloga do Núcleo de Atenção Médica Integrada da Universidade de Fortaleza,   Veruska Fernandes, mostra dois lados do serviço, sendo um positivo, pelo contato físico das crianças com mesma faixa etária e pela independência que os escolares acreditam possuir. “A criança sente-se mais livre e aprende a ter uma autonomia incrível. O fato é exatamente manter o controle desta criança, para que ela não se sinta completamente livre”, alerta.

Alunos antes de entrar no transporte escolar

De acordo com Veruska, o lado negativo do serviço é a falta de contato entre as crianças e os pais no trajeto casa-escola. Para ela, o diálogo neste momento é fundamental para a troca de experiências. “A conversa durante o percurso tende a trazer mais afinidade e segurança para a criança. Eles sentem-se mais importantes na vida dos pais”, afirma.

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