Adotar é mais que uma gentileza

Por Mariana Pontes e Raone Saraiva

Cães para adoção

Cães são expostos para adoção

A cada pessoa que nasce aqui no Brasil, nascem também 15 cães e 45 gatos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Isso faz com quem nem todos esses animais possam ter um lar e acabem abandonados nas ruas. Em Fortaleza, não há um número preciso dos que estão nesta situação. A União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) afirma que vários cães e gatos nascem na Cidade, mas muitos não conseguem sobreviver.

Todos os dias, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Fortaleza captura animais abandonados. O trabalho é feito para evitar doenças que podem ser transmitidas ao homem, como o calazar (leishmaniose) e a raiva. Após recolhidos, eles são levados para o órgão e vacinados. De acordo com a coordenadora do CCZ, Evanisa Ventura, até setembro de 2008, o centro recolhia das ruas os animais doentes e sadios. Alguns eram doados para protetores que faziam feiras de adoção e outros eram eutanasiados devido apresentarem ferimentos ou doenças sem tratamento.

Porém, poucas pessoas adotavam os animais capturados, o que gerou uma superpopulação de cães e gatos no local. Por causa da falta de espaço, os animais permaneciam no CCZ por apenas três dias, segundo a Lei Municipal 8.966/05. Depois do prazo, o caminho era certo: o sacrifício. A coordenadora justifica que a eutanásia dos animais saudáveis só acontecia em razão da impossibilidade do CCZ de cuidar dos mesmos e por conta ao desinteresse da população em adotá-los.

O CCZ, devido a ordem judicial de setembro de setembro de 2008, parou de recolher os animais sadios. Agora, apenas os que portam algum tipo de doença são sacrificados. No momento da eutanásia, cães e gatos recebem uma dose de anestésico e, depois que dormem, vem a injeção letal.

O problema, porém, continua. Embora os animais saudáveis não sejam mais capturados e sacrificados pelo CCZ, eles continuam nas ruas passando fome e sofrendo mau tratos. “Seria necessário proprietários mais conscientes, que acompanhassem os animais em toda sua vida protegendo, não os abandonando”, ressaltou Evanisa.

Voluntários por uma boa causa

Geuza Leitão

Geuz Leitão é presidente da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa), em Fortaleza

Apesar do problema, existem atitudes de pessoas voluntárias que diminuem o sofrimento desses bichos, como é o caso da advogada Geuza Leitão. Seu amor pelos animais começou quando sua filha mais nova, ainda criança, chegou em casa chorando por presenciar o sofrimento de bichos como cães, gatos e jumentos abandonados nas ruas da Cidade.

O interesse de Geuza pelo direito dos animais aumentou tanto que ela passou a denunciar circos, vaquejadas, rinhas e zoológicos que maltratavam os animais. Por conta disso, a advogada tornou-se presidente da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa), em Fortaleza.

Desde que passou a ser presidente da Uipa, ela ministra palestras, realiza congressos e seminários em diversos locais. Começou a publicar também artigos em jornais e revistas do Brasil e do exterior, com temas sempre ligados à proteção aos animais. Posteriormente, a advogada reuniu suas publicações e lançou um livro chamado A Voz dos Sem Voz.

Para Geuza, o abandono de cães e gatos em Fortaleza é algo assustador. Ela acredita que a única solução para esse problema é a esterilização desses animais, a fim de controlar a natalidade e diminuir a grande procriação. “A prefeitura diz que não há condições de fazer esse trabalho, mas o que existe, na verdade, é falta de vontade política porque os animais não votam. A prefeitura acha mais barato sacrificar os animais do que fazer as esterilizações”,critica.

“Adotar é tudo de bom”

Jéssica Sampaio, 21, divide a casa onde mora seus pais e suas duas irmãs mais novas com vários bichos. A família Sampaio é apaixonada por todos os animais e cuidam deles como se fossem gente. “Não consigo dormir sem estar abraçada com meus cachorros. Todos os dias eu alterno para ver quem vai dormir comigo”, conta a estudante.

Atualmente existem catorze cães na casa de Jéssica – contando com os três filhotes que a cadela Malu teve semana passada -, seis gatos e quatro pássaros. O afeto pelos animais não é de hoje. Há cerca de 15 anos, a família criava um casal de cachorro, mas, por um descuido que deixou o portão aberto, um cão abandonado entrou na residência e começou a brincar com os outros animais. “Quando vi aquele cachorro todo machucado e sem lar, não pensei duas vezes e resolvi cuidar dele”, afirma. A partir deste dia, a família começou a acolher os bichos que não tinham donos. “Por mim adotava muito mais. É tudo de bom fazer isso”, diz.

Porém, muita gente não tem a coragem que Jéssica tem. Pegar os cachorros da rua por conta própria é um risco, tanto para a saúde do animal como para a da família do dono. Portanto, existem várias feiras que promovem a adoção de cães e gatos em Fortaleza, como a promovida pela Associação Protetora dos Animais para Tratamento e Adoção (Apata) todos os primeiros sábados do mês. Lá os futuros donos passarão por uma entrevista e assinarão um termo de responsabilidade. Para adotar, é preciso estar munido do original e cópia do RG e comprovante de residência.

Outra opção é a adoção simbólica, para os casos em que a pessoa gostaria de ajudar um animal, mas não pode levá-lo para casa. “Uma média de quanto o animal gasta por mês com ração e remédios é feita para que a pessoa doe esse valor mensalmente”, explica Iolanda Lene, integrante da Apata.

Clique aqui e veja fotos de feiras de adoção

Saiba onde existe as feiras de adoção em Fortaleza

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Uma resposta para Adotar é mais que uma gentileza

  1. cibergentil disse:

    “Eutanasiados” é foda.. eufemismo truando!

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