A gentileza que alimenta

Por Renata Wirtzbiki

As últimas notícias veiculadas na imprensa sobre os moradores de rua são assustadoras: agressões gratuitas e até assassinatos vêm aterrorizando àqueles que não têm um teto para dormir à noite e  revoltando a sociedade.

Em Fortaleza (CE), na madrugada da última terça (16), nas imediações do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, o morador de rua José Valdelor da Silva foi baleado no olho direito e agora corre o risco de perder a visão.  Em Maceió (AL), já chega a 32 o número de assassinatos.

Moradores de rua reivindicam direitos/ Foto: Divulgação

Estima-se que no Brasil existam 31.992 pessoas com 18 anos ou mais vivendo nas ruas. O levantamento foi realizado em 2007 pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em parceria com a Unesco.

No entanto, atualmente, não há um número oficial de moradores de rua. Mesmo com todo o aparato tecnológico, o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda peca ao deixar de fora uma categoria importante para se compreender a realidade socioeconômica do País.

Sopa contra a fome

Na contramão da violência, outras pessoas se dedicam a matar a fome dos famintos que vagam pelas ruas e praças das grandes cidades. É o exemplo do Grupo Espírita Casa da Sopa, que há 21 anos tem sido um alento para os dormem no centro da cidade de Fortaleza.

Casa da Sopa atende moradores de rua / Foto: Divulgação

Todas as sextas-feiras, 12 integrantes, em média, distribuem sopa e pão pela capital cearense, a partir das 22h30. A rota inclui as praças do Carmo, da Bandeira e do Ferreira. O grupo também prega o evangelho para os moradores de rua. O coordenador da Casa da Sopa, Eric Fernandes, entretanto, acrescenta que são aceitos adeptos de todas as religiões. 

As segundas-feiras, os moradores são recebidos na própria sede da Casa da Sopa, a partir das 19 horas. Lá, eles recebem alimentação, tomam banho e ouvem a palavra do Evangelho. “Para entrar na Casa da Sopa, a pessoa precisa estar sóbria”, frisa Eric. Nas segundas, o grupo atende, em média, 100 pessoas.

Na terceira terça-feira de cada mês, o grupo realiza um atendimento às famílias dos moradores de rua denominado Fluidoterapia. O objetivo é a tentativa de reintegração das famílias por meio de conversas e a doação de cestas básicas.

O representante do grupo, Leonardo Rodrigues, ingressou na Casa da Sopa em 1991. De lá para cá, observou mudanças no cenário de rua de Fortaleza, como o aumento do número de moradores e a migração do vício do álcool para o crack.

Para ele, o problema dos moradores de rua é bem mais complexo que apenas a fome: passa por conflitos familiares, vício em álcool e drogas, doenças mentais. “A gente tem a tarefa de despertar a cidadania, então o primeiro momento não é tirar a pessoa da rua, é entender por que ela saiu de casa. Não se constitui um mal estar na rua, dentro deste aspecto a rua é às vezes uma condição pessoal”, acredita.

Gerando gentileza

Não são apenas os grupos religiosos que promovem a gentileza ao distribuir sopa pelas ruas de Fortaleza. Há pessoas que doam o seu tempo livre e, com dificuldades de recursos e auxílio, vão atrás de fazer o bem ao próximo. Um exemplo é a estudante de Direito Giselle Castro, 26.

Aos domingos, Giselle acorda cedo e vai à feirinha perto de casa comprar carne e legumes para o sopão. Segundo ela, sabendo o destino dos alimentos, muitos feirantes cobram menos na hora de pagar a conta. À noite, ela distribui sopa nas praças do Carmo, da Bandeira e do Ferreira e no Instituto Doutor José Frota (IJF). “Eu percebi que muita gente não está ali porque quer, e sim por falta de oportunidades. E eu me sinto mal com isso”, afirma.

Serviço

A Casa da Sopa fica localizada na Rua Assunção, 431, Centro (entre as ruas General Clarindo de Queiroz e Meton de Alencar). Para a doação de roupas e alimentos, ligar para o coordenador Eric Fernandes: 85 8630-2007.

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