Especial trânsito: Falta gentileza ou falta auto-escola?

Por Leonardo Capibaribe

Quem trafega de carro pelas ruas de Fortaleza pode testemunhar o quanto é difícil enfrentar o caos que tem se transformado o trânsito da Capital. Sinalização precária, motoristas imprudentes, falta de infraestrutura para suportar dias chuvosos, e um sistema de trânsito deficiente são alguns dos fatores que prejudicam o fluxo do tráfego.

Por conta das eleições, os problemas acabaram sendo evidenciados quando várias pessoas passaram a ocupar as ruas fazendo propagandas e distribuindo folhetos dos seus candidatos, chegando a provocar alguns pequenos acidentes e filas quilométricas de congestionamento devido a uma maior lentidão no trânsito. De acordo com a Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana em parceria com o Ministério da Saúde, a maioria dos acidentes é causada, marcadamente, por falhas humanas (64%) como dirigir sob o efeito de álcool e substâncias entorpecentes, trafegar em velocidade inadequada e sem a devida experiência; seguida por problemas mecânicos e pela má conservação das vias de tráfego.

Dados

Segundo dados da Autarquia Municipal de Trãnsito (AMC), o período que mais pesou para a Capital cearense foi o período de 2005 a julho de 2006 quando a cidade ficou sem a fiscalização eletrônica. Houveram mudanças de gestão e o fim do contrato com a empresa Trama e Fotossensores, responsáveis pelos semáforos e lombadas eletrônicas. Somente em julho de 2006 é que um novo contrato foi feito e tudo se normalizou na nossa cidade.

Capacitação e Responsabilidade

Uma boa engenharia de trânsito é muito importante. Sinalização adequada e pistas seguras também. No entanto, não há nada que impeça acidentes quando o motorista transgride as leis e sai conduzindo seu veículo de forma desrespeitosa, utilizando as vias públicas como pistas de teste e não considerando as mais elementares normas de segurança e de respeito ao próximo. Além desse comportamento condenável e até criminoso, falta ainda ao motorista brasileiro a prática cotidiana da cooperação no trânsito, o que já resolveriam questões de relacionamento que a melhor engenharia teria dificuldades em resolver.

Relatos

“A nossa educação está carente de princípios e valores morais e éticos bem definidos. É na primeira infância que a criança forma os conceitos do bem e do mal, do certo e do errado. Quando os pais não deixam essas questões claras para os filhos, a formação desses conceitos fica prejudicada.” afirma a pedagoga Valdenira Alves quando questionada sobre a razão desse “despreparo” na formação dos valores de cada cidadão que acabam se refletindo no trânsito. Segundo Valdenira nós definimos nossos valores mais pelos nossos atos e exemplos do que pelas nossas palavras e sugestões. Esses comportamentos inadequados, aprendidos na infância, vão tomando dimensões maiores na adolescência, vão se enriquecendo com a força do grupo e terminam nesse “show de agressões” a que hoje assistimos nas ruas de Fortaleza.

Segundo o funcionário público Pedro José,56, não existe falta de educação no trânsito. O que existe é falta de educação mesmo. O trânsito assim reflete o desrespeito ao próximo, a competitividade sem precisão alguma e inconseqüente, sobretudo, a prática de sempre querer levar vantagem. Pedro afirma que incontáveis vezes analisou o comportamento de outros motoristas e percebeu sinais de arrogância e individualidade no trânsito. ” Eu sempre deixo com que outros carros passem na minha frente em cruzamentos, no sentido de aliviar as ruas preferenciais mesmo, e o que mais me assusta é ver que o mesmo carro que eu permiti que passasse na minha frente, não permite de forma alguma com que outros carros tenham essa mesma chance, chegando a bater por não ceder!”, afirma indignado o motorista.

Já psicóloga Cléa de Araújo Rocha compara o trânsito a uma arena, onde antigamente os guerreiros se divertiam de forma “sádica”, a psicóloga afirma que ao vestimos nossa armadura – o carro – nós nos sentimos poderosos, imbatíveis quase imortais. Um outro condutor e até mesmo o indefeso pedestre, são os nossos adversários que devemos abater violentamente e sem piedade. É este o comportamento geral que, inconscientemente, envolve o motorista costumeiramente imprudente e agressivo.

Reflexão

E de quem é, afinal, a responsabilidade pela educação para o trânsito? Será das autoridades, dos Centros de Formação de Condutores e dos Agentes de Trânsito?

No meu entender é de toda a sociedade que deve estar visceralmente comprometida com a cidadania e com a qualidade de vida em busca de um trânsito civilizado e sem violência.

Continue lendo:

Especial trânsito: candidatos devem poluir menos
Especial Trânsito: Fortaleza pode ser uma cidade mais gentil
Especial Trânsito: Gentileza para novos condutores
Especial trânsito: Trânsito gentil na internet
Especial trânsito: serviço é privatizado por escolas
Especial Trânsito: Falta de acessibilidade, uma oportunidade para ser gentil
Especial trânsito: campanhas educativas para melhorar o trânsito
Especial trânsito: jogar lixo para fora do carro é crime e dá multa
Especial trânsito: nem com as crianças transito é brincadeira

Anúncios
Esse post foi publicado em Gentileza e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s